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Idade e Infertilidade
Textos Médicos 06/09/2013

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A idade mater­na pare­ce ser o fator iso­la­do que mais alte­ra taxa de gravidez em humanos. A ­mulher apre­sen­ta um declí­nio na fer­ti­li­da­de e aumento no tempo de concepção a par­tir dos trin­ta anos de idade, sendo que este declí­nio se torna mais acen­tua­do a par­tir dos 35 anos, com sensível piora após os 40 anos. Isto se deve a redução significativa do número e da qualidade dos óvulos. Trata-se de um processo normal, cujo resultado final é a ocorrência do esgotamento do número dos óvulos e a ocorrência de menopausa. Alguns fatores como exposição a quimioterápicos e radiação, cirurgia ovariana e fatores genéticos, além do tabagismo, têm sido associados a uma diminuição na idade da menopausa.



A menopausa ocorre, em média, em torno dos 50 anos de idade, mas os processos que resultam na perda  definitiva da função reprodutiva se iniciam cerca de 8 a 10 anos antes, em torno dos 40 anos de idade. Esta redução fisiológica da capacidade reprodutiva que ocorre com o passar dos anos é um dos principais fatores que compromete a chance de sucesso em tratamentos de fertilização in vitro (FIV).



Pacientes com idade mais avan­ça­da, principalmente a partir dos 37-38 anos de idade, apre­sen­tam uma pior res­pos­ta ova­ria­na às medicações usadas no tratamento de FIV, menor taxa de fer­ti­li­za­ção, menor taxa de implan­ta­ção e maior taxa de abor­ta­men­tos. A idade parece ser o principal fator prognóstico no sucesso das taxas de reprodução assistida. A dete­rio­ra­ção da fecun­di­da­de com a idade se rela­cio­na mais com a qua­li­da­de dos óvu­los do que com os fato­res endo­me­triais, visto que, pacien­tes sub­me­ti­das aos pro­gra­mas de ovo­doa­ção apre­sen­tam taxas de gra­vi­dez seme­lhan­tes às da idade da doa­do­ra dos óvu­los e não às da idade da recep­to­ra dos ­embriões.



Embora as técnicas de reprodução assistida possam ajudar casais com problemas de fertilidade, não podem compensar completamente o declínio natural da fertilidade com o avançar da idade. Estudos recentes mostram que a chance das mulheres permanecerem sem filhos, mesmo após tratamento médico é de:
-   6,0% aos 30 anos;
- 14,0% aos 35 anos;
- 34,8% aos 40 anos;
- 78,9% aos 45 anos.



O tratamento mais efetivo para infertilidade relacionada à idade é a ovodoação. Enquanto alguns tratamentos apresentam baixas taxas de sucesso após 42 anos de idade, como inseminação intra-uterina (1-2% de taxa de gravidez) e fertilização in vitro (menos que 5% de gravidez), as taxas na ovodoação permanecem altas (superiores a 50% de gravidez).



Além disso, mulheres acima de 35 anos apresentam risco aumentado de complicações durante a gravidez e o período neonatal. A probabilidade de abortamento, gravidez ectópica e natimortalidade aumentam com a idade. Na população em geral, o risco de aborto em mulheres de até 35-36 anos é de 10-15%; entre 35-39 anos é de 24% e alcança 51% naquelas entre 40-44 anos. As complicações obstétricas associadas com idade materna avançada incluem diabetes gestacional, descolamento prematuro de placenta, hipertensão, crescimento intrauterino restrito, baixo peso ao nascer e realização de cesareana. Rastreamento pré-concepcional de condições médicas como diabetes e hipertensão estão indicados, principalmente nas pacientes com mais de 35 anos.



As gestações em mulheres acima de 40 anos apresentam maior incidência de complicações, partos prematuros e malformações congênitas. É notório na literatura médica o aumento que ocorre com a idade de ter crianças com anomalias genéticas, com incidência de 1 caso a cada 65 nascidos vivos na idade de 40 anos até 1 caso a cada 2 nascidos vivos na idade de 45 anos. A trissomia do 21 (síndrome de Down) é uma comum alteração genética do número de cromossomos (aneuploidia) e sua incidência pode chegar a 1 caso a cada 39 nascidos vivos aos 44 anos de idade. As anomalias numéricas nos cromossomos (aneuploidias) aumentam com a idade e estão correlacionadas ao aumento nas taxas de aborto espontâneo e diminuição nas taxas de reprodução assistida.



Outras condições médicas que aumentam sua frequência com a idade e podem afetar a fertilidade são miomatose uterina, pólipose endometrial e endometriose. O avançar da idade e o estilo de vida levando a obesidade e o tabagismo entre as mulheres também afetam a fecundidade.

A incidência de infertilidade aumenta também com o aumento da idade do parceiro masculino. A fertilidade do casal diminui 25% dos 30 aos 50 anos de idade paterna. Há um declínio na função testicular com alteração nos níveis hormonais masculinos e alteração nos parâmetros seminais como volume, motilidade e morfologia seminal, com o avançar da idade. Idade paterna avançada, após 40 anos de idade, tem sido associada a um aumento nas taxas de abortamento e aumento na frequência de algumas doenças genéticas autossômicas dominantes, autismo e esquizofrenia na prole, apesar do risco ser considerado baixo. Entretanto ainda não há evidências suficientes para demonstrar um efeito desfavorável da idade paterna nas técnicas de reprodução assistida.

Existem alguns benefícios para a prole de casais que engravidam tardiamente. Vários estudos mostram que filhos de casais em idade mais avançada apresentam melhor nível educacional, intelectual e psicológico, principalmente devido a melhor situação sócio-econômica dos pais, ao ambiente familiar e ao relacionamento conjugal mais estável. Os filhos de pais mais velhos são usualmente planejados e mais desejados.

Em resumo, durante as últimas décadas os casais estão postergando a gravidez. Como consequência, uma proporção crescente de casais apresenta infertilidade ou um tempo maior para conseguir engravidar, levando a uma variedade de resultados adversos gestacionais. Apesar da disponibilidade e evolução das técnicas de reprodução assistida, estes tratamentos não podem compensar completamente a perda de fertilidade ligada à idade materna e paterna. O impacto da idade materna na fertilidade é maior e mais bem documentado que os efeitos da idade paterna. Para a mulher o risco de infertilidade, aborto espontâneo, trissomias e complicações obstétricas têm um pronunciado efeito após os 35 anos de idade. Entre os homens, o efeito na fertilidade é menor e os resultados reprodutivos adversos ocorrem após os 40-50 anos.

Referências Bibliográficas
L.Schmidt et al. Demographic and medical consequences of postponement of parenthood. Hum Reprod Update, 2012 Jan-Feb;18(1):29-43
J.Balasch, E.Gratacós. Delayed childbearing: effects on fertility and the outcome of pregnancy. Curr Opin Obstet Gynecol, 2012 Jun;24(3):187-193
K. Liu et al. Advanced Reproductive Age and Fertility. Int J Gynaecol Obstet,2012 Apr; 117 (1): 95-102



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